1. O que são redes comunitárias de educação e pesquisa?

São redes voltadas para integrar as instituições de pesquisa e educação superior, através de uma infra-estrutura de comunicação de dados dedicada. Uma das formas de integração da comunidade de educação e pesquisa em uma mesma região metropolitana consiste na implantação de uma infra-estrutura baseada em fibras ópticas.

2. Quais as vantagens de uma rede comunitária metropolitana de educação e pesquisa (Redecomep)?

Uma Redecomep apresenta diversas vantagens em relação às formas convencionais de interconexão das instituições de pesquisa e educação, além da sua integração física. A utilização de fibras ópticas dedicadas proporciona uma economia significativa nos custos com a infra-estrutura de acesso à internet, possibilidade de ampliação da capacidade de transferência de informações virtualmente sem limites e melhor qualidade em relação aos serviços atualmente contratados. Além dos benefícios locais, é possível ainda interconectar essas redes por meio de uma infra-estrutura nacional, como o backbone da RNP, ampliando a capacidade de cooperação e troca de informações entre as redes.

3. O que é o Projeto Redecomep?

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) estabeleceu como uma das metas do Rede-Conhecimento a implantação de redes comunitárias metropolitanas em todo o país. Foi aprovado, então, em dezembro de 2004, o Projeto Redecomep que conta com recursos do FNDCT, administrado pela FINEP. Caberá à RNP a execução do Projeto Redecomep e a promoção da iniciativa junto às instituições de educação e pesquisa em cada região metropolitana participante. O projeto Redecomep surge para complementar em nível metropolitano a nova infra-estrutura nacional óptica de alta capacidade para apoio à comunidade acadêmica.

4. O que é o Projeto Rede-Conhecimento?

É uma iniciativa do MCT que tem por objetivo criar uma nova e robusta infra-estrutura nacional óptica de alta capacidade para comunicação, computação e conhecimento, operando em patamar de velocidade de múltiplos gigabits e integrando ações de computação de alto desempenho e bibliotecas digitais. O Rede-Conhecimento prevê a integração de ações da RNP, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

5. Quais os objetivos do Redecomep?

Promover, num prazo de dois anos, a implantação de redes comunitárias metropolitanas em todo o país, visando a melhoria da qualidade de interconexão entre as instituições de pesquisa e educação a um custo reduzido. Será dada prioridade à implantação da infra-estrutura óptica nas cidades, onde haverá facilidade para sua interconexão a um dos pontos de presença da RNP. Além disso, o projeto visa favorecer a formação de consórcios, de forma a assegurar a sua auto-sustentação e capacitar o pessoal técnico das instituições integrantes para gerenciar e operar a nova infra-estrutura.

6. Qual o escopo do projeto Redecomep?

Os recursos disponibilizados pelo MCT serão utilizados para a contratação dos serviços de implantação da rede física, aquisição dos equipamentos de acesso (um switch por ponto de acesso) bem como treinamento para sua operação.

7. Qual a contrapartida exigida para participação?

Para participar da iniciativa as instituições deverão se comprometer em disponibilizar pessoal técnico com formação em operação e gerenciamento de redes IP.

8. Quais as vantagens de uma infra-estrutura dedicada baseada em fibras ópticas ?

Além de ser um meio físico pouco sujeito a problemas de funcionamento, a capacidade de transmissão é praticamente ilimitada, podendo ultrapassar 1Gbps utilizando equipamentos relativamente baratos para acesso ao cabo óptico. Outra vantagem é a longa vida útil da fibra, prevista para exceder 20 anos. Além disso, os custos de instalação, manutenção e operação também são comparativamente mais baixos do que a contratação de uma mesma capacidade das operadoras de telecomunicações.

9. Por que trocar a minha solução atual por uma Redecomep?

Um dos maiores benefícios de participar de uma Redecomep resulta da economia proporcionada pelo uso de uma infra-estrutura avançada de fibras ópticas em uma operação compartilhada, na modalidade de consórcio, com outras instituições semelhantes. A possibilidade de ampliação da capacidade de transferência de informação sem o equivalente aumento dos custos, como ocorre com os serviços contratados de operadoras de telecomunicações, só é possível por meio do uso de uma infra-estrutura como esta. Além disso, a redecomep permite a interconexão de unidades de uma mesma instituição que se encontrem localizadas em pontos distantes, mas dentro da área metropolitana, com qualidade e baixo custo.

10. Por que o modelo de consórcio?

O modelo de consórcio vem sendo adotado com sucesso em iniciativas semelhantes em todo o mundo. A existência de interesses e objetivos comuns por si só justificaria a formação de um consórcio. Além disso, este modelo possibilita uma cooperação maior entre as instituições participantes para a operação e gestão da infra-estrutura, compartilhando os custos e planejamento para sua expansão. Vale ainda lembrar que este modelo já se mostrou viável pela experiência anterior semelhante - no Projeto de Redes Metropolitanas de Alta Velocidade, lançado em 1997, pela RNP.

11. Quais as premissas para participar do consórcio?

Os consórcios devem ser constituídos por instituições de pesquisa e educação localizadas em uma mesma região metropolitana onde exista um ponto de presença da RNP. Poderão ser formados por um número variável de participantes, integrar instituições públicas e privadas, sendo que a participação destas deverá ser custeada com recursos próprios.

12. Como posso dar início a um consórcio para implantar e administrar uma rede metropolitana?

Algumas capitais já tomaram a iniciativa de formar consórcios para a implantação de redes comunitárias metropolitanas quando perceberam os benefícios que poderiam obter. Várias instituições das regiões metropolitanas de Belém, Manaus, Natal, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre estão desenvolvendo projetos para a implantação dessas redes e a sua experiência poderá servir como exemplo para a formação de outros consórcios.

13. Como será a manutenção da infra-estrutura das redes metropolitanas?

As redes metropolitanas participantes do projeto Redecomep receberão apoio da RNP para sua implantação. Posteriormente, o consórcio formado pelas instituições usuárias da infra-estrutura deverá arcar com os custos da sua operação, manutenção e eventual ampliação.

14. Onde posso encontrar fibra óptica na minha região?

O processo de desregulamentação do setor de telecomunicações promoveu uma grande competição no setor nos últimos 5 anos. Como consequência, diversas empresas realizaram investimentos na implantação de dutos (e mesmo fibras ópticas) para a oferta de serviços em larga escala para as empresas privadas de telecomunicações. Existe, portanto, um excedente de dutos e fibras principalmente nas áreas metropolitanas, que poderão ser utilizadas para a implantação da infra-estrutura óptica pretendida pelo projeto Redecomep. Além da infra-estrutura utilizada pelas operadoras de telecomunicações, existem dutos e fibras ópticas implantadas pelas concessionárias de energia elétrica, de rodovias e ferrovias, de gasodutos e oleodutos, bem como pelas operadoras de TV a cabo, ou através de rede aérea (postes) nas vias públicas.

15. É permitido fazer parcerias com quem possua fibra na minha região?

A participação de empresas que possuem dutos, fibras lançadas ou mesmo direito de passagem (nos postes, por exemplo) nos consórcios metropolitanos é estimulada pelo Projeto Redecomep. Deste modo, a infra-estrutura existente poderá ser aproveitada a um custo inferior ao de lançamento de uma infra-estrutura de cabos ópticos nova.

16. É necessária a autorização da Anatel para operar esse tipo de infra-estrutura?

Sim. O decreto nº 2.197, de 8 de abril de 1997, aprova o Regulamento de Serviço Limitado, regulado pela norma nº 13/97 de 18 de setembro de 1997, que estabelece as condições específicas de exploração do Serviço Limitado Especializado (SLE) como "Serviço Limitado, telefônico, telegráfico, de transmissão de dados ou qualquer outra forma de telecomunicações, destinado à prestação a terceiros, desde que sejam estes uma mesma pessoa ou grupo de pessoas naturais ou jurídicas, caracterizado pela realização de atividade específica." Dentre as modalidades do SLE, a norma define no item 5.12.c o Serviço de Rede Privado (SRP), pelo qual o permissionário opera um "serviço não aberto à correspondência pública, destinado a prover telecomunicação a uma mesma entidade, entre pontos distribuídos, de forma a estabelecer uma rede de telecomunicações privada;"

17. Há algum exemplo de redecomep em implantação no Brasil?

Sim. A rede MetroBel, que está sendo implementada em Belém, foi considerada como a alternativa de melhor relação custo/benefício para todas as instituições participantes do consórcio local, oferecendo infra-estrutura de alta capacidade e melhor qualidade. Além da rede de Belém, existem iniciativas semelhantes em Manaus, Natal, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre.

18. Como é formalizada a participação das instituições interessadas em um projeto de rede metropolitana?

O primeiro passo para o desenvolvimento de um projeto de Redecomep é a formação do seu consórcio e a implantação de um Comitê Gestor. Deverá haver uma instituição âncora que coordene a formação do consórcio e a implantação do projeto como interlocutor local com a coordenação do projeto pela RNP. A formalização do consórcio poderá ser feita em duas etapas. A primeira por meio da assinatura de um Memorando de Entendimentos entre as instituições participantes, explicitando a sua intenção de participar da iniciativa. O documento deverá indicar, ainda, as premissas para adesão e os objetivos do projeto local. Na segunda etapa, deverá ser assinado um Termo de Cooperação, onde deverão constar detalhadamente os papéis e responsabilidades de cada instituição participante, principalmente no que se refere à gestão, operação, manutenção e custeio da infra-estrutura.

19. Qual tecnologia será utilizada nas redes metropolitanas?

A premissa básica para o desenvolvimento do projeto da infra-estrutura de rede consiste na utilização de fibras ópticas. Eventualmente, em situações específicas, poderão ser utilizados enlaces de rádio de alta-capacidade. A tecnologia escolhida para "iluminação" da fibra é a Gigabit Ethernet que permite atualmente atingir até 1Gbps em um par de fibras ópticas, com alcance de até 100 km sem repetidor.

20. Quais os equipamentos que serão utilizados?

A especificação técnica detalhada dos equipamentos ainda está sendo definida pela RNP. Deverão ser utilizados comutadores IP (switches) com capacidade para roteamento/filtragem de pacotes. Os switches deverão conter adaptadores ópticos (GBIC) para fibra monomodo, bem como portas RJ45.

21. Qual o grau de segurança da rede de fibra óptica?

Sendo um meio passivo, a fibra óptica não está sujeita a defeitos técnicos, como ocorre por exemplo com os equipamentos de rádio. Entretanto, o problema mais comum em uma infra-estrutura óptica subterrânea é o seu rompimento eventual devido a realização de obras de escavação em sua rota. Alternativamente utiliza-se rotas aéreas através do posteamento público.

22. Qual a topologia recomendada pelo projeto?

Para minimizar o impacto decorrente do eventual rompimento do cabo óptico, deve ser empregada uma topologia redundante de conexão, ou seja, a configuração das conexões em topologia de anel. Além disso, o cabo óptico deverá conter pelo menos 48 fibras (24 pares) permitindo assim a utilização de pares dedicados para a interconexão de unidades de uma mesma instituição espalhadas pela área metropolitana, facilitando a criação de diversas redes físicas independentes.